Dia Nacional do Livro Infantil

Dia 18 de abril é o dia Nacional do Livro Infantil. Essa data foi esc olhida para celebrar o nascimento do pai da moderna Literatura Infantil brasileira. Sim, ele mesmo, José Bento Monteiro Lobato, o mesmo que disse que um país se faz com homens e livros.  Tal como Hans Christian Andersen, foi pioneiro ao fazer literatura diretamente para crianças. Aqui no Brasil, o que havia eram adaptações e traduções dos grandes clássicos infantis europeus. Lobato foi responsável por traduções importantes, como os Contos de Grimm. Mas foi além em suas criações e trouxe para a literatura infantojuvenil  as histórias e  lendas do folclore nacional, os contos de fadas, as fábulas, a mitologia grega, e a literatura universal.  A intertextualidade está presente na literatura lobatiana antes mesmo deste termo existir. Personagens mitológicos, dos contos de fadas e do folclore visitam o Sítio do Picapau Amarelo e a turma do Sítio também viaja no tempo e na história para encontrar grandes personagens. Monteiro Lobato aproximou as crianças dos clássicos da literatura. Ana Maria Machado diz que poucos países tiveram o privilégio de ter um autor como Lobato a fazer adaptações de clássicos para crianças. Dom Quixote, Minotauro, Peter Pan, Alice, Branca de Neve, estão todos lá no mundo maravilhoso de Monteiro Lobato.

Muitos de nós conheceram as peripécias da turma do Sítio do Picapau Amarelo pela série que a TV Globo apresentou entre 1977 e 1986.  Fez parte da infância de muitos chegar em casa da escola e assistir as aventuras da turma do Sítio. A primeira adaptação para a TV, em 1952, foi feita por Tatiana Belinki, outra grande escritora da literatura infantil. Tanto a primeira, quanto a segunda adaptação para a TV ficaram mais de 10 anos no ar. Outras adaptações vieram depois mas a de 1977 é considerada um clássico.

Lobato morreu em 1948, aos 66 anos e deixou um legado enorme para as crianças com personagens inesquecíveis e presentes no imaginário dos brasileiros. Quem não gostaria de conhecer a Dona Benta, ser amigo da Narizinho e do Pedrinho, comer os bolinhos de chuva de Tia Nastácia, aprender muitas coisas com o sabido Visconde de Sabugosa? Quem não gostaria de ser a Emília? Quem não gostaria de conhecer o Sítio do Picapau Amarelo e o Reino das Águas Claras? Quem nunca teve medo da Cuca ou riu das peraltices do Saci?

Quem teve a sorte de ter esses personagens presentes na infância, sabe da importância da Literatura Infantojuvenil e  da luta que devemos travar para que cada brasileirinho possa ter a chance de sonhar com o mundo maravilhoso de Monteiro Lobato e de todos os grandes autores e ilustradores brasileiros: Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Tatiana Belinky, Sylvia Orthof, Lygia Bojunga, Ziraldo, Clarice Lispector, Roger Mello, Mariana Massarani, Angela Lago,  Odilon Moraes, Fernando Vilela, entre tantos outros que nos fazem a sonhar.

Que todo dia seja dia do Livro Infantil!

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Dia Internacional do Livro Infantil

Dois de abril é o dia Internacional do Livro Infantil. A data foi escolhida em homenagem ao nascimento de Hans Christian Andersen, escritor e poeta dinamarquês, considerado o primeiro autor a criar histórias para as crianças. Antes dele tivemos La Fontaine, Charles Perrault, os Irmãos Grimm, entre outros. Porém, esses adaptaram os contos da tradição oral.  Andersen foi além e por isso é considerado o “pai da literatura infantil”. O maior prêmio nesta categoria, equiparado ao “Nobel”, recebeu o seu nome. Aliás, no Brasil temos três prêmios Hans Christian Andersen: Lygia Bojunga, Ana Maria Machado e Roger Mello.

Para comemorar o dia de hoje, vamos trilhar leituras com Hans Christian Andersen e nossos três premiados autores? Talvez o conto mais conhecido de Andersen seja “O Patinho Feio”, mas também são dele: “A princesa e a ervilha”, “A Pequena Sereia”, “A roupa nova do imperador”, “O Soldadinho de Chumbo”, ” A Polegarzinha”, ” O rouxinol e o imperador”, “A pequena vendedora de fósforos”, entre muitos contos, afinal Andersen escreveu mais de 160 histórias para crianças. Dos nossos autores premiados temos muitos livros bacanas. Seguem alguns títulos:  “A bolsa amarela” e  “A casa da madrinha” de Lygia Bojunga;  “A galinha que criava um ratinho” e “Menina bonita do laço de fita” de Ana Maria Machado; “A nau Catarineta” e “Meninos do Mangue” de Roger Mello.

Escolha o seu e divirta-se:

 

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A Boneca e o Fidalgo

“No fundo, os livros são isto: conversas sobre a vida. E é urgente, sobretudo, aprender a conversar”. Yolanda Reyes

Quando começamos a pensar no Trilhar Leituras, dois personagens vieram logo à nossa mente: Emília e Dom Quixote. Emília, aquela bonequinha de pano sem papas na língua, que diz o que pensa sem medo de críticas. Às vezes egoísta, às vezes mal criada, metida mas também muito divertida e esperta. Uma vez, quando Visconde estava escrevendo a biografia dela, perguntou o que ela era, e ela respondeu: “Sou a Independência ou Morte”. Emília é pura liberdade. Já Dom Quixote de la Mancha que se transforma em um cavaleiro andante, aparece como uma figura tão humana, que muitas vezes nos esquecemos de que é literatura. Seu lema é proteger os fracos e oprimidos e salvar as donzelas em perigo. É ridicularizado por todos aqueles que não conseguem ver suas virtudes, sua bondade e sua coragem para salvar  os sofredores das injustiças do mundo. Emília e Dom Quixote são personagens fascinantes da literatura que nos dizem muito sobre os outros e sobre nós mesmos.

Dom Quixote por Gustave Doré.

Na cena acima, nosso cavaleiro andante em uma ilustração de Gustave Doré.  O Cavaleiro está sentado em uma poltrona com um livro na mão e uma espada na outra. Ao redor mais livros, dragões, cavaleiros, princesas, ogros e muito mais. Uma imagem que vale mais que mil palavras.

Emília e o cavaleiro andante se encontram algumas vezes. Segundo Marisa Lajolo, Dom Quixote é um personagem recorrente na obra de Lobato: “toma café com bolinhos na varanda do sítio em O Picapau Amarelo e é inspiração da peça que Emília monta em Hollywood, em Memórias de Emília“. Em 1936, Monteiro Lobato adapta a obra e a rebatiza “Dom Quixote para crianças”. A história começa com Emília tentando alcançar os livros mais distantes na estante e por serem os mais difíceis de serem alcançados, eram os mais desejados pela boneca. Finalmente alcança o Dom Quixote, dois livros “enormíssimos e pesadíssimos”. Após ter acesso ao livro a boneca lê o título e o autor e logo implica com o sobrenome: “-— Saavedra! — exclamou. — Para que estes dois aa aqui, se um só faz o mesmo efeito? — e, procurando um lápis, riscou o segundo a”. Quando abre o livro depara-se com ilustrações que chamam a sua atenção: “Que beleza!” As gravuras eram de Gustave Doré  “sujeito que sabia desenhar muito bem”, disse ela. Dona Benta resolve ler o livro para as crianças, mas estas não entendem nada e acham difícil aquela linguagem, Emília ameaça ir embora brincar. Como uma verdadeira contadora de histórias que é, Dona Benta põe todos à sua volta e começa a contar a história do cavaleiro andante com suas próprias palavras. A certa altura, Emília “suspira e imagina como seria bom ter um cavaleiro andante que corresse mundo berrando que a mais linda de todas as bonecas era a Senhora Emília de Rabicó” e poderia aparecer um Cervantes que contasse a história e ela ficaria famosa no mundo todo.  Narizinho diz para Emília que ela já estava bem famosa no Brasil inteiro “de tanto Lobato contar as suas asneiras”. Emília fica tão envolvida com a história, que vai buscar uma vassoura e começa a espetar a todos dizendo que aquela era sua lança, coloca um cinzeiro na cabeça e diz que era o elmo de Mambrino, e monta no pobre Visconde, dizendo que este era Rocinante. Emília deixou-se envolver pela história, como Dom Quixote se envolveu com os contos de cavalaria. Na ultima página do livro, Monteiro Lobato homenageia Dom Quixote com belas palavras ditas por Emília. Os dois Quixotes são clássicos eternos que nos emocionam e nos fazem rir.

Emília e Visconde na Ilustração  de André Le Blanc.
Emília e Visconde tentam alcançar os livros na parte mais alta da estante. Ilustração de André Le Blanc.

Referências

Lajolo, Marisa: Dom Quixote: quando Monteiro Lobato apresentou o imortal cavaleiro às crianças.  in: http://lobato.globo.com/novidades/novidades32.asp

Lobato, Monteiro: Dom Quixote das Crianças. Rio de Janeiro. Ed. Globo, 2007.

_______Reinações de Narizinho. Rio de Janeiro. Ed Globo, 2011.

Machado, Ana Maria: Como e por que ler os clássicos universais desde cedo. Rio de Janeiro. Objetiva, 2009